Cheguei a El Chaltén, capital do trekking na Patagônia Argentina, em um dia chuvoso. Da “montanha fumegante” que dá nome à cidade em língua tehuelche eu não conseguia ver nem a silhueta. Má notícia para a turista, motivo de celebração para os guardas florestais. A região havia passado por um inverno seco e as chances de incêndio florestal em janeiro estavam altas.

Depois da terceira tentativa, consegui sair da rodoviária usando luvas, capuz, jaqueta à prova d’água e cachecol e enfrentei a chuva e vento que caiam naquela tarde de verão para chegar a meu albergue, que ficava no lado oposto da pequena cidade patagônica. Homens carregando equipamentos de montanhismo e várias pessoas voltavam de caminhadas enquanto eu puxava minha mala pelas ruas. Desde o primeiro momento, El Chaltén deixa claro que a natureza está no comando por ali – e eu ainda nem havia saído das ruas asfaltadas.

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El Chaltén vista do Mirador de los Cóndores

Reservei três dias para a capital do trekking na Patagônia Argentina, com direito a mais um dia de ida e outro para o retorno a El Calafate, da onde saía o voo para Buenos Aires. O período foi perfeito para fazer os principais passeios da cidade e para deixar (muita) vontade de voltar.

El Chaltén é uma pequena vila, criada em 1985 para garantir a soberania argentina sobre uma região historicamente disputada com o Chile. Apesar de bastante organizada e urbanizada, ainda não perdeu os ares rústicos de um lugar que é o destino de sonhadores – montanhistas e aventureiros que abandonaram suas antigas vidas para viver em meio à natureza deslumbrante da Patagônia. Não bastasse a paisagem de tirar o ar, com paredões pontiagudos subindo em direção ao céu, os fortes ventos que assolam os vales fazem você se sentir pequeno e vulnerável.

Por estar localizada dentro do Parque Nacional de los Glaciares, a passagem pelo Centro de Visitantes é obrigatória ao entrar na cidade. Lá, os guardas florestais explicam as regras básicas para caminhadas e escaladas no parque. Montanhistas e pessoas que irão visitar locais mais afastados devem cadastrar-se. Para os outros que, como eu, farão os passeios “menos desafiadores”, basta seguir algumas regras de conduta. A lista completa pode ser vista aqui, mas algumas delas são:

  • Use sempre os “senderos” já criados (evitando a degradação de outras áreas);
  • Retorne com todo o lixo para a cidade;
  • “Vá ao banheiro” a pelo menos 50 metros de distância dos cursos de água e não lave suas coisas com sabão nos rios (o que garante que a água em todo parque seja limpa e potável);
  • Use filtro solar, inclusive em dias nublados;
  • Não faça de um dos muitos cachorros da cidade seu companheiro de caminhada (eles não fazem parte da fauna local).

Apesar da localização privilegiada, El Chaltén ainda é a região menos turística do parque, o que significa menos interferência humana na paisagem. Não espere por passarelas – como as de observação do Glaciar Perito Moreno – ou banheiros, mas ainda assim, os passeios são repletos de gente no período de alta temporada (novembro a abril, sendo janeiro o mês mais movimentado).

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Avenida Antonio Rojo, em El Chaltén

Onde ficar

A cidade é minúscula, então localização não é um problema. Escolha o local que melhor se adeque a seu orçamento: há desde espaços para camping até hotéis de luxo. Quanto mais distante você ficar da rodoviária, mais perto você fica das saídas para as trilhas mais populares como Laguna de Los Tres, Laguna Torre e a cachoeira Chorrillo del Salto.

Como chegar

Saindo de El Calafate, é possível viajar até El Chaltén com as companhias de ônibus CalTur, Chaltén Travel ou TAQSA. A viagem dura 3h, com uma parada na estância La Leona, para banheiros e café. O site da cidade dá informações atualizadas sobre os horários de saída dos ônibus.

Na ida, fui de Chaltén Travel, cuja passagem custa AR$400. Também a empresa Las Lengas oferece o serviço de transfer entre as cidades. Como não havia ônibus saindo a tempo de eu pegar meu voo de El Calafate para Buenos Aires, saí de El Chaltén com eles. É um pouco mais caro (AR$500), mas eles te pegam no hotel e te levam até o seu destino final, no meu caso, o aeroporto.

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É bom saber

  • Todas as trilhas são gratuitas e podem ser feitas por conta própria. Se você não tiver experiência em trekking e quiser saber mais sobre o local, recomento contratar um guia para a trilha até a Laguna de Los Tres, que te leva até o ponto mais bonito de observação do monte Fitz Roy. É uma caminhada longa e difícil. Fazê-la acompanhada de um guia que conhece suas particularidades torna a caminhada muito mais fácil, além de você conhecer dados sobre a fauna, a flora, os glaciares e as montanhas pelas quais você passa. Contratei a empresa Walk Patagonia e o profissionalismo deles me surpreendeu desde o primeiro e-mail. Pablo, nosso guia, era simpático, educado e sabia muito sobre o local. Super recomendo!
  • Muitas empresas oferecem o serviço de passeio de um dia para a cidade, mas um dia não é suficiente para conhecer El Chaltén. Para começar porque, com o clima patagônico, as chances de você acabar não vendo o Fitz Roy são enormes. Guarde cinco dias pelo menos, mesmo que o dia de chegada e de saída sejam usados apenas para o deslocamento de/para El Calafate. El Chaltén é um lugar que merece ser apreciado com calma.
  • Leve dinheiro. Não procurei por um caixa eletrônico, mas parecia não haver nenhum na cidade.
  • É frio, quente, chuvoso, venta e até neva… durante o verão! Esteja preparado. Leve roupas que esquentem, mas vá com camisas frescas por baixo. Jaquetas à prova d’água, luva, capuz, cachecol e algo que proteja seu ouvido são essenciais (nunca uso capuz, mas por lá tive que colocar para me proteger do vento, principalmente).
  • No inverno algumas das trilhas ficam interditadas. De novembro a abril, é temporada alta. Em janeiro é quando a cidade fica mais cheia e você encontra mais pessoas pelas trilhas. Em abril, as árvores ganham tons outonais e a paisagem fica ainda mais linda.

 

Mapa de links:

Patagônia Argentina: selvagem e inesquecível

El Calafate e Perito Moreno

El Chaltén – Dia 1 – Mirador de los Cóndores e Chorrillo del Salto

El Chaltén – Dia 2 – Laguna de los Tres

El Chaltén – Dia 3 – Laguna Torre

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5 comentários em “Patagônia Argentina: El Chaltén

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