Dizem que é preciso conhecer Veneza antes que ela seja engolida pelo mar, mas eu colocaria mais urgência em uma visita a Berlim. Depois de passar um mês na capital da Alemanha, saí com a sensação de que a cidade que conheci, logo não estaria lá. Não há mar para submergi-la, mas Berlim é uma cidade em (re)construção. Ainda. Mais do que a Torre da Televisão ou o Portão de Brandenburgo, os guindastes espalhados pela cidade são os verdadeiros ícones da capital alemã.

 

 

Os motivos para o “estado em obra” de Berlim vão além da Segunda Guerra – que devastou suas ruas e por causa da qual ainda encontramos paredes perfuradas e prédios abandonados –, e não se bastam pela corrida imobiliária que acontece na cidade para a qual todos parecem querer se mudar. Estão relacionados mesmo à vontade constante de se reinventar que impera pelas ruas.

Conhecer Berlim é mais do que visitar seus pontos turísticos. Para aproveitar a cidade é preciso observar os detalhes e “tropeçar” na sua história, que dá as caras a cada esquina ou nas “Stolperstein” (pedras de tropeço) espalhadas pelas calçadas.

Quando ir?

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A bebida mais berlinense durante o verão não é a cerveja e sim Club-Mate, chá mate gaseificado.

Berlim é uma cidade setentrional, o que garante que até mesmo no verão possa haver dias frescos (ou frios mesmo, para o padrão brasileiro carioca!). Mas não se engane, faz calor em Berlim, muito calor. E a cidade não está preparada para as altas temperaturas: os ônibus têm janelas fechadas e nenhum ar condicionado. O metrô subterrâneo (U-Bahn) têm janelas fechadas e nenhum ar condicionado. O trem de superfície (S-Bahn) têm janelas fechadas e nenhum ar condicionado. E o pior: nenhuma bebida é servida gelada (!!).

Dito isto, os meses de julho e agosto ainda são a melhor época para visitar a cidade. No calor, os alemães vão para as ruas, multiplicam-se os “Biergartens” (jardins de cerveja) e todos vão nadar nas piscinas públicas e lagos.

Outra opção é visitar Berlim entre o final de abril e início de maio, quando ainda faz frio, mas o sol começa a dar as caras e as cerejeiras estão em flor.

Onde ficar em Berlim?

Vamos começar pelo meio, ou Mitte, em alemão. Como na maioria das cidades europeias, o centro da cidade é a melhor opção. Lá você fica a uma distância a pé dos principais pontos turísticos, além de estar próximo de grandes estações de trem como Alexanderplatz e Friedrichshain.

Mas o Mitte é enorme, como vocês podem ver no mapa. Onde ficar, então? Minha recomendação é escolher a região conhecida como Spandauer Vorstadt. “Vorstadt”, em alemão, significa algo como “depois da cidade”. É porque, até 1700, esse trecho um pouco acima do que conhecemos como a Ilha dos Museus e logo depois da estação Hackescher Markt, ficava fora dos muros da cidade (sim, Berlim já teve outro muro, mas esse era o do período medieval!).

As ruas Auguststraße, Gipsstraße, Große Hamburger Straße, Rosenthalerstraße e Sophienststraße são repletas de prédios históricos, principalmente do período pré-guerras, quando o bairro era prioritariamente judeu. Hoje, é um bairro gentrificado com várias lojas e restaurantes, mas cheio de charme.

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Rosenthalerstraße

Quem está pesquisando locais para ficar em Berlim com certeza vai encontrar diversos sites indicado Kreuzberg: o bairro descolado-turco-de vida noturna animada. Kreuzberg corresponde ao hype, mas para mim seria como escolher um hotel na Lapa, no Rio de Janeiro – eu não escolheria esse bairro para ser a minha base na cidade. A região próxima à estação Kottbusser Tor é a epítome do que é Kreuzberg em toda a sua diversidade. Já as ruas entre a estação Banhof Hallesches Tor e o Checkpoint Charlie são uma parte mais Kreuzberg-light.

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Kreuzberg

Para ter uma experiência mais típica de Berlim eu ficaria em Prenzlauer Berg, o bairro dos artistas, mas também muito familiar. Por lá, o interessante é visitar o Mauerpark no final de semana, mas todas as principais atrações da cidade ficam a algumas estações de metrô de distância.

Aluguel de apartamento em Berlim

Fiquei em com apartamento alugado pelo Feels like Home, porque – pasmem! – nunca consegui alugar pelo AirBnb (sempre que eu escolho o apartamento e mando mensagem para o dono, recebo respostas de que o local já está ocupado ou do que parecem ser agentes imobiliários indicando outros apartamentos mais caros e menos interessantes). Apesar de ser uma opção mais cara, o site Feels Like Home, que também possui apartamentos em Paris e Sevilla, oferece apartamentos bem decorados e bem localizados.

Fiquei em um na Rochstraße, entre a Alexanderplatz e o Hackescher Markt. Essa era a minha vista:

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Um dos muitos temporais de verão.

Chato, né? Cheguei em um domingo, dia em que nada (nada!) funciona na cidade, mas, ainda assim, fui recebida pelo responsável por me entregar as chaves (ele estava de folga de folga no dia… lembrem-se de não chegar em Berlim em um domingo), que me explicou tudo o que eu precisava saber sobre o apartamento (um studio pequeno, mas bem equipado), o prédio e as redondezas.

Fique ligado para os próximos posts do nosso especial Berlim! E você, já visitou a cidade? Conte-nos o que achou ou tire suas dúvidas!

Mapa de links

Berlim para os que gostam de arte

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Um comentário em “Berlim: quando ir e onde ficar?

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