A mais europeia das cidades russas é uma mistura de Paris, Florença, Viena, Londres e Budapeste sem perder a imponência de sua origem: um capricho do czar Pedro, que, ao tornar-se imperador, decidiu construir uma nova capital para o império Russo. Apesar da familiaridade que o viajante ocidental pode sentir ao caminhar pelas ruas de São Petersburgo, o choque-cultural é o que mais marca a viagem.

A língua é intransponível, os russos mantêm uma fachada bastante sisuda e, em vários momentos, senti que não estava muito segura. Mas fui surpreendida por uma enorme hospitalidade (que descobri ser um traço cultural do país) e por uma bela cidade, que, em pleno agosto, era palco de muitos casamentos, com direito a ensaios fotográficos e fogos de artifício por toda parte. Além de hospitaleiros, os russos também são muito tradicionais e românticos: para eles, casar em agosto é sinal de boa sorte, e vi muitos casais de namorados com a mulher segurando buquês de flores.

Nevsky Prospekt é a mais famosa rua de São Petersburgo e pode servir como referência para tudo o que você deve fazer na cidade: desde escolher a hospedagem até se localizar durante os passeios para os principais pontos turísticos. O escritor russo Nikolai Gógol a descreveu assim no belo livro que leva o nome da rua:

Não há nada melhor do que a Avenida Niévski, pelo menos em Petersburgo; para a cidade, ela representa tudo. E o que brilha nessa rua – a beldade da nossa capital?

NossoMapaMundi_São Petersburgo_Avenida Niévski
Casa Singer, na Avenida Niévski.

Se tiver tempo, percorra ela por completo. Mas se, como eu, só tiver dois dias na cidade, sugiro começar pela estação de metrô Nevsky Prospect (linha 2), da onde você pode avistar a imponente Catedral de Kazan. O templo ortodoxo foi inspirado na Catedral de São Pedro, em Roma. A entrada na catedral é gratuita.

Do outro lado da rua, na esquina da Nevsky com o Canal Griboyedov, encontra-se o belo prédio da Casa Singer (das máquinas de costura), que hoje é uma das maiores livrarias russas. A beleza da cúpula de vidro em arte nouveau só é ofuscada pela Catedral do Sangue Derramado, que desponta no final do Canal Griboyedov. Essa é a construção mais “russa” que você vai encontrar em São Petersburgo, pelo menos foi isso o que eu achei e não por acaso: a arquitetura é inspirada na Catedral de São Basílio, de Moscou. A igreja ortodoxa russa é hoje um museu estatal, onde os visitantes podem conhecer a história do assassinato de Alexandre II. Do lado da igreja esta um dos belos parques da cidade: o jardim do Castelo Mikhailovsky.

NossoMapaMundi_São Petersburgo_Catedral do Sangue Derramado
Catedral do Sangue Derramado

Continue pelo Canal de Griboyedov até a Ponte do Banco, uma das mais bonitas de São Petersburgo. Construída em 1790 por Giacomo Qurenghi, a ponte suspensa tem quatro leões alados em suas extremidades. A ponte leva esse nome, porque estava localizada em frente a um banco, que hoje é uma universidade.

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Roma tem a Fontana di Trevi, Nova Iorque o Charging Bull e São Petersburgo o Chizhik-Pyzhik. Não me pergunte como pronunciar esse nome, mas reza a lenda que quem consegue tombar uma moeda que fique na pequena estátua do pássaro terá boa sorte. Eu tentei, mas estava com os rublos contatos (e não tenho boa mira)!

NossoMapaMundi_São Petersburgo_ Chizhik-Pyzhik
A pequena estátua de Chizhik-Pyzhik

A Catedral de Santo Isaac, além de muito bonita, é um ótimo ponto para observar São Petersburgo de cima. Isso, porque é possível subir em sua cúpula, feita com mais de 100 kg de ouro puro. Uma curiosidade: durante a 2ª Guerra Mundial, a cúpula foi pintada de cinza para dificultar os bombardeios, além disso a igreja serviu de depósito de obras de artes, peças valiosas e joias retiradas de outras igrejas e palácios e que poderiam ser tomados pelos nazistas.

Um dos maiores museus de arte do mundo, o Hermitage, em São Petersburgo, possui uma coleção vasta, que inclui itens de praticamente todas as épocas, estilos e culturas da história russa, europeia, oriental e do norte da África. Dedique pelo menos uma manhã para conhecer seu espaço, composto de dez prédios situados ao longo do rio Neva. Prepare-se para enfrentar longas filas e a dividir espaço com MUITOS turistas (quando eu fui, eram chineses e eles não respeitavam o limite das obras, então toda hora as sirenes apitavam e vinha um guarda explicar que era preciso ficar atrás da linha vermelha).

Peterhof é o Palácio Versailles de São Petersburgo. O palácio de verão de Pedro, o Grande, é um símbolo da grandeza russa, construído para comemorar a conquista do golfo da Finlândia (país que pode ser visto de um dos belos jardins da propriedade). Reserve um dia inteiro para esse passeio. O castelo fica a 40Km de São Petersburgo e, além do Grande Palácio, é possível visitar a Grande Cascata (na foto), os jardins Superiores e Inferiores, o Palácio Marly, o Palácio Monplasier e o Pavilhão Hermitage.

Atravessando o rio Neva, chegamos à Fortaleza de São Pedro e São Paulo, marco inicial da cidade de São Petersburgo e palco de muitas histórias. Além da bela vista para os principais pontos turísticos da cidade, a fortaleza abriga uma catedral mais antiga da cidade e já teve entre seus detentos o escritor Dostoiévski. A entrada na fortaleza é livre, mas algumas das atrações (como a catedral) são pagas.

Segurança

Apesar de não ter passado por nenhuma situação de perigo, eu tive a impressão de que é preciso redobrar a atenção ao andar por São Petersburgo (como se estivesse andando no Rio de Janeiro… Brasil e Rússia podem ter lá suas semelhanças). Acho que ter um guia ou alguém que conheça a fundo a cidade ajuda (foi o meu caso). Alguém para te contar não só sobre a rica história da cidade, mas para te ajudar a quebrar a barreira da língua e te manter segura(o). Enumero algumas coisas que vivenciei e observei durante minha curta estada na cidade:

  • A cidade tem muitos pedintes e eles podem ser agressivos. Como não entendemos o que dizem quando eles nos abordam, a interação é ainda mais tensa;
  • Os russos interpretam de forma negativa quando os olhamos nos olhos ao andar pela rua. Descobri por lá que olho muito as pessoas – mesmo sem segundas intenções. No metrô, um dos pedintes entender esse “olhar” como algo a mais. A pessoa que me acompanhou em boa parte da viagem recomendou que eu olhasse menos as pessoas nos olhos;
  • Quando visitei o Hermitage estava chovendo e eu não quis guardar o guarda-chuva molhado dentro da minha bolsa e preferi deixa-lo no guarda-volumes. Por sorte, estava com uma bolsa pequena, que permitia que eu entrasse no museu com ele, porque nunca mais consegui recuperar meu guarda-chuva. A pessoa do guarda-volumes me deu como “documento” um papel com número que eu achava que eram a localização do meu guarda-chuva, porém, ao tentar retirá-lo, logo descobrir que tinha sido enganada. Era para ela ter me dado uma tag de plástico. Não havia ninguém que falasse inglês para me atender, gritaram comigo (como se estivesse tentando enganá-los com um pedaço de papel), e saí de lá com as mãos abanando;
  • Em Peterhof, encontrei essa placa, avisando os turistas do perigo de batedores de carteira.
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Segurança na Rússia

Onde ficar

Recomendo a região próxima à Nevsky Prospect, pois você estará perto dos principais pontos turísticos. Fiquei em um ótimo albergue chamado Soul Kitchen (com esse nome, não tinha como ser ruim!). Eles não ofereciam café da manhã, mas os quartos eram espaçosos, as camas permitiam bastante privacidade (olha que fiquei em um dormitório com 8 camas) e os banheiros eram grande e limpos. Na época, paguei, em pleno verão, R$118.52 por três noites. A da recepção era muito atenciosa. Em uma das manhãs, fizeram panquecas e ofereceram de graça para todos os hóspedes.

Dica culinária

Não provei o strogonoff russo nem o caviar, tampouco bebi vodka, mas fui apresentada ao “pyshka” uma espécie de donut russo. No Pyshechnaya (Rua Bolshaya Konyushennaya, 2), aberto desde 1958, o tempo parece ter parado. O local provavelmente não passou por uma renovação desde a inauguração e só serve café com o pãozinho, mas já aviso: pede logo uns três, porque a massa leve do pyshka açucarado é uma delícia e você, com certeza, vai querer mais.

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Pyshka, o donnut russo

Do aeroporto para a cidade

Ônibus da linha 39 levam do aeroporto de Pulkovo até a estação de metrô de Moskovskaya. A jornada leva cerca de 35 minutos.

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